O parecer de um diabolista sobre a 3ª convenção do ABC

Tive o prazer de participar da 3ª convenção de malabares e circo do ABC que ocorreu do dia 15 ao dia 18 de julho e me faltam palavras para descrever este memorável evento.

Chegamos (eu e Gustavo Ollitta) na quinta à noite e desde o começo fomos muito bem tratados. Devido a chuva armamos nossa barraca em um local coberto e após nos estabelecermos já descemos para o salão para treinar um pouco.

A quinta-feira foi tranqüila, dormimos cedo e nos preparamos para os outros dias, onde treinaríamos muito mais.

Conforme o tempo foi passando tivemos a oportunidade de conhecer pessoas incríveis e trocar muitas idéias sobre não só malabares e circo, mas muitas outras coisas. Não é preciso dizer que treinamos muito e só íamos dormir para descansar o corpo, pois a mente não queria abandonar os malabares em nenhum momento.

Na sexta a noite assistimos ao ‘Cabaré’ e sábado a ‘noite de gala’ e aos ‘Renegados’ que contaram com apresentações fantásticas. Além de todas as apresentações, que adicionam muito ao malabarista, ocorreram várias oficinas interessantes que iam desde a manipulação de objetos à introdução a Foot catches/throws com bolas e é claro a oficina de diabolo.

A oficina de diabolo foi ministrada por Felipe Liporoni. Muito aplicado e atencioso, propôs que procurássemos formas não usuais de realizar movimentos que costumávamos fazer e atendeu um participante de cada vez. Tive a oportunidade de encontrar uma saída para um movimento no qual estava trabalhando há meses sem encontrar solução, batizei-o de Vortex double stick swap com dois diabolos.

Se comparado ao número de pessoas que faziam malabares com claves e bolas o diabolo ainda estava em desvantagem, com muito menos participantes, mas acredito que poderíamos contar com muito mais diabolistas nas convenções se esses procurassem se mobilizassem e procurassem freqüentar mais eventos e encontros de malabares.

A 3ª convenção do ABC foi minha primeira convenção, e com certeza não será a última. Deixo aqui a dica para todos os malabaristas que não costumam freqüentar eventos de malabares: Mudem de postura! Vale a pena encontrar pessoas que tem os mesmos interesses que você!

Toda segunda rola o encontro paulista de malabares, conhecido ‘Circo no Beco’, na rua Belmiro Braga, Vila Madalena, São Paulo. Vale a pena conferir!

Espero encontrar mais diabolistas nas próximas convenções!

Até a próxima!

Obrigado e continuem treinando!

Por Lucas G. Abduch, escrito em 19/07/2010

Documento úteis para trabalhos na rua

Um dia um amigo foi impedido de trabalhar no semáforo por um policial, alegando que se continuasse eles iriam quebrar o material e dar uma surra nele, após este fato, fomos conversar com outros policiais que nos disseram que poderíamos ser enquadrados na lei de mendicância, segundo a vontade do policial. Depois de pesquisar sobre, ele nos escreveu este e-mail:

“Galera, aqui estão os documentos e os esclarecimentos que nos possibilitam trabalhar nos sinais sem termos que pagar impostos e também sem sermos presos ou acusados de qualquer coisa…

Os dois primeiros anexos são respectivamente a Constituição de 88, e o segundo é a lei das contravenções penais.
No primeiro, nos enquadramos no artigo 5º, paragrafo 9º, sobre a liberdade de manifestações artísticas (que é explicado no anexo 3), e o segundo, é para o caso de sermos acusados de mendicância, então vejam o artigo 60º, onde diz que a lei contra mendicância foi revogada em 2009 (explicado no anexo 4), ou seja, fazendo com que a mendicância não seja mais crime.
Estou andando com esses documentos (anexo 1 e 2) na bolsa, para caso de ser detido e poder apresentar isso os meus direitos de trabalho para os policiais e também (espero que não seja preciso) para o delegado!
Abraços e beijos a todos.”   Caio Sabadini
anexo 1               anexo 2               anexo 3               anexo 4
Por Algodão

Malabarize-se

www.malabarizese.com

tumblr

  Seja jogando bolinhas para o alto, manipulando objetos de modo a parecer que flutuam ou rodando diabolôs, a arte do malabarismo é muito mais do que “jogar coisas pra cima”. Treinar malabarismo vem me ensinando valores essenciais para a vida. Persistência, humildade, disciplina e respeito são alguns deles. Aprendi a respeitar desde aquele que está começando, aprendendo 3 bolinhas – pois já passei por isso -, até o que treina com, antes inimagináveis, 9 bolas – pois sei quanto suor é necessário para se chegar lá.

            Sem dúvidas tudo isso pode ser aplicado em diversos aspectos de minha vida, inclusive profissionais, e é muitas vezes mais útil que algumas matérias do curso de administração que, com conteúdos muito teóricos, ensinam obviedades e nos avaliam de acordo com nossa capacidade de decorar conceitos presentes em livros e slides.

            O malabarismo tomou dimensões imensuráveis em minha vida; nunca imaginaria, por exemplo, que um francês que viaja o mundo me convidaria para participar da gravação de um dvd em que estão presentes diabolistas de mais de 15 países, muitos dos quais eu já admiro há tempos.

            Neste momento estou voltando pra casa da viagem que, sem dúvidas, foi uma das melhores de minha vida. No trecho que separa o Rio de Janeiro de São Paulo resolvi seguir o conselho de um amigo e escrever um artigo para ‘O Visconde’, visando informar sobre os encontros de malabarismo que estão ocorrendo no CEPE.

Até agora, coisas fantásticas aconteceram, e estou certo que muito mais ainda está por vir.

Que tal uma mudança de paradigma?

Lucas G. Abduch – Texto escrito para O visconde (Jornal da faculdade FEA-USP) no 2º semestre de 2011

Vivemos no Contra, por Desenho

“Vivemos no contra
É… no contra

Contra a física e suas leis
Afinal podemos não ligar
Mas que a gravidade existe, existe
Contra as expectativas dos nossos pais
Ou você conhece algum pai que adorou ver seu filho
trocar beca, cabelo e canudo por
Nariz vermelho, chapéu coco e claves?

Contra o que a sociedade julga profissão
Não me lembro da existência de concurso publico para animador de via urbana
Contra todos os padrões académicos
Mesmo por que, apesar de sua matemática perfeita e complexa
Site swap não faz parte da grade de matérias de nenhuma escola

Sim! Vivemos no contra
E vivemos por ai… viajando
Carregamos em nossa costas mochilas
Pesadas, sujas, suadas e surradas
Contendo nada mais que belas historias e nosso brinquedos
Brinquedos que são nossa diversão, nosso meio, nossa defesa, nosso ganha pão,
nossa identidade e por que não dizer nossas vidas.

Sim! Vivemos no contra
E vivemos por ai… buscando
Contrariamos até mesmo artistas
Enquanto muitos sonham com teatros renomados e imensas plateias pagantes
Nós vamos a qualquer beco, rua ou praça e convidamos a plateia a vir de bom grado
Muitos querem um palco de madeira com cortinas vermelhas e holofotes gigantes
Nós nos satisfazemos com o asfalto preto e suas faixas brancas
Com a iluminação de postes, faróis e nossa próprias tochas
Não cobramos entrada,
Mas agradecemos se alguém contribui na saída
E enquanto todos andam no verde
É no vermelho que nosso mundo gira.

Sim! Vivemos no contra
E vivemos por ai… contrariando
Vivemos contra tradição de nossa própria pátria
531, 441, 4x2x não são formações taticas de times de futebol
Arte aqui é bola no pé
E eu não estou falando de quick up ou futbag
Nossa arte não passa em jornais ou tem espaço no horário nobre da Tv
Não teríamos audiência

Só apareceríamos na mídia televisiva de três formas
Num daqueles telejornais sensacionalistas
Comparando-nos ou fazendo de estatística
Dizendo que nossa vidas são frutos de uma sociedade doente e desigual
Que não tivemos opção, ou simplesmente estamos nessa por condicionamento social
Aparecemos também naqueles famosos programas domingueiro
Que criam competições populares, dizendo estar dando espaço para que mostremos nossa arte
Dai nos dão menos de 1 min para faze-lo
E ainda nos humilham em rede nacional
Julgando de maior dificuldade ou valor artístico uma criança carente por que ela sabe cantar o hino nacional
A terceira forma não é muito comum, mas acho que é a mais facil
Se você for mulher, loira e gostosa e mandar benzasso com três ou mais bolas de pompoarismo
Tenho certeza que o pânico na Tv, os vídeos incríveis ou algum programa do tipo vai adorar te-la na equipe.
Claro se você se encaixa nesses padrões meu telefone é…

Sim! Vivemos no contra
E vivemos por ai… sobrevivendo
Vivemos contra as condições climáticas
Afinal chuva e malabares não combinam
Quem conhece sampa sabe exactamente do que eu estou falando
Vivemos na insegurança, não temos renda
Não temos a certeza de que no fim do mês o salário vai estar lá
Não temo direito a férias ou décimo terceiro salário
Não temos seguro desemprego ou convénio medico
Apesar de dependermos dos nossos corpos para trabalhar
E muitos de nós são obrigados muitas vezes a vender o almoço pra comprar o jantar
E isso nos faz pensar se vale a pena

Todos os dias vemos e ouvimos coisas inacreditáveis e até mesmo inadmissíveis
Recebemos elogios que nos motivam
Mas também criticas que nos destroem
E chega a ser engraçado tentar contar quantas vezes por dia nos mandam trabalhar
Mas enfrentamos tudo isso de peito aberto e ainda pedimos mais
Mesmo com as fechadas de vidro
Mesmo com os olhares de desaprovação
Mesmo com todos os insultos
Muitas vezes mesmo contra nós mesmos
Pedimos mais…
A rua é para poucos…
Ela não é boazinha ou compreensiva
Nem vai sentir se te jogar pra baixo
Sentimentos temos nós..ela não
Ela só faz sentir!
Mais do que nunca sei do que estou falando, não queria saber
mas não escreveria se não soubesse

Mas pedimos mais..
Porque nada paga a liberdade e o amor que temos pela nossa arte

Sim! Vivemos no contra
E vivemos por ai
Não temos o apoio ou patrocínio de ninguém
Mas somos uma raça unida
E estamos por ai…
Crescendo, nos multiplicando
Nos ajudando em cada encontro em cada convenção, em cada carnaval…
Estamos por ai…contrariando
Temos vários nomes
Vagabundos, hippies, jugglers, moleques do farol, meninos do pauzinho, depreciadores da própria arte, andarilhos, viajões, bichos grilos, micróbios, loucos
Eu prefiro ser chamado,
ARTISTA DE RUA.

Marcos Vinícius – Desenho.
Malabarista -Artista de Rua.”

Por Algodão.

%d blogueiros gostam disto: